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22/11/2013

Famílias empresárias reconhecem o desafio, mas não planejaram a sucessão

O planejamento da sucessão do patrimônio e dos negócios familiares ainda é um tabu

O planejamento da sucessão do patrimônio e dos negócios familiares ainda é um tabu a ser superado pelas famílias empresárias brasileiras. Essa é uma das conclusões da pesquisa realizada pelas consultorias Alliance Governança e Família e Strategos – Strategy & Management durante workshop ´Desafios na Sucessão das Empresas Familiares´ realizado no último dia 4 de novembro, em Curitiba/PR. O evento contou com a presença de mais de 60 pessoas entre fundadores, herdeiros, executivos e sucessores de mais de 20 empresas familiares de toda a Região Sul do País.

Segundo dados do IBGE, mais de 95% das empresas brasileiras são controladas por famílias empresárias. E deste montante, as estatísticas revelam que menos do que 30% conseguem sobreviver ao processo de transição da primeira para a segunda geração e menos de 10% resistem à transição da segunda para a terceira geração da família.

A despeito disso, o planejamento do patrimônio e especialmente do processo da sucessão dos ativos foi realizado por apenas 32% das famílias empresárias presentes ao evento e que responderam a pesquisa. As empresas controladas pelas famílias pesquisadas atuam e são líderes regionais nos seus segmentos de atuação, especialmente nos setores químico, alimentício, serviços, construção civil, indústria eletroeletrônica, de produtos têxteis, de transporte e no setor agroindustrial.

Os dados também apontam que além de não planejarem a sucessão do patrimônio, somente 21% das famílias empresárias já planejaram de que forma ocorrerá a sucessão na gestão dos negócios da família e a preparação dos herdeiros para que se tornem os novos líderes dos negócios familiares.

Quando questionadas sobre se pretendem tratar do tema e em qual período de tempo estimam planejar a sucessão do patrimônio e dos negócios familiares, aproximadamente 50% das famílias responderam que este processo ocorrerá no prazo de até 3 anos, enquanto o restante entendeu que a família somente amadurecerá os temas no período entre 5 e 10 anos.

Além de confirmar a efetiva ausência de planejamento da sucessão do patrimônio e dos negócios, a pesquisa ainda revelou que em mais de 80% dos casos a principal razão para a inexistência do planejamento está na falta de alinhamento de interesse dos familiares envolvidos no processo e/ou na resistência dos próprios fundadores em tratar sobre o assunto.

Já em relação à preparação dos herdeiros que desejam lidera os negócios familiares, as razões da inexistência de um plano foram justificadas em 46% dos casos pela falta de alinhamento entre os familiares, em 15% dos casos pela resistência de familiares, especialmente da geração dos fundadores, e em 12% dos casos pela falta de interesse dos herdeiros em se tornarem sucessores dos negócios familiares.

Para Luciano Anghinoni, diretor da Alliance Governança e Família, apesar dos números da pesquisa as famílias empresárias estão crescentemente tomando consciência da relevância de se planejar a sucessão. “As famílias estão se dando conta de que estamos falando de perenidade da riqueza e dos negócios familiares. E de que o processo de perenização se constrói planejando a sucessão, instituindo governança, separando a propriedade da gestão e capacitando os herdeiros que se interessam pelo negócio e que tem competência para lidera-lo na ausência dos fundadores”.

 

Fonte: ParanáShop

 

Link: http://www.paranashop.com.br/colunas/colunas_n.php?id=37166&op=notas