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20/11/2013

Sucessão não se faz do dia para a noite

 

Estima-se que somente 30% das empresas familiares sobrevivem ao processo de sucessão da primeira para a segunda geração. E somente 10% passam para a terceira. A falta de planejamento de patrimônio e as dificuldades no processo sucessório são os principais fatores a explicar esta estatística, segundo Luciano Anghinoni, advogado e sócio-diretor da Alliance Governança e Família, consultoria de Curitiba.

De acordo com ele, é comum as famílias confundirem herdeiro com sucessor. "O filho é herdeiro porque a lei diz que é. O sucessor não precisa ter o mesmo DNA", declara. Conforme diz Anghinoni, o pior que pode acontecer para uma empresa é o herdeiro tornar-se sucessor sem ter habilidade ou disposição para a função. "As famílias precisam conversar e decidir se os herdeiros efetivamente têm condições e se podem ser sucessores."

O consultor ressalta que, muitas vezes, é mais cômodo e seguro ficar na condição de herdeiro. "Conduzir a empresa é um risco muito grande e, se a pessoa não for bem sucedida, vai ter de conviver com essa frustração perante a família", afirma.

Sucessões não planejadas, de acordo com Anghinoni, tendem a acabar na Justiça. "A legislação causa transtornos para os herdeiros quando o fundador morre inesperadamente e a sucessão não foi planejada", declara. As famílias precisam organizar os bens, inclusive criando uma holding, se for preciso. "O pai morre de repente e deixa três filhos. A empresa passa a ser 33,33% de cada um deles. Um quer vendê-la, outro quer investir mais, outro quer investir menos. Enquanto os irmãos tentam se alinhar, a concorrência está a mil", declara.

Contrariando as estatísticas, segundo o consultor, a Cedro Cachoeira é um exemplo de empresa familiar que sobrevive às gerações. Mineira do setor têxtil, a organização tem mais de 140 anos. "A família conseguiu conversar, planejar o patrimônio e os processos sucessórios. Isso não quer dizer que não teve conflito, mas que houve planejamento e superação", afirma.

Em recente workshop organizado por ele com cerca de 30 famílias em Curitiba, 60% disseram não ter planejamento patrimonial e nem sucessor definido. "Perguntamos o porquê e eles disseram faltar alinhamento familiar. E isso é decorrente da falta de diálogo", acredita.

Para o consultor, o problema da sucessão é que ela envolve temas considerados tabus como a decadência física e mental e a morte. "É um processo que passa por questões psicológicas profundas. A pessoa precisa reconhecer publicamente que vai perder as forças, que daqui a um determinado tempo não estará mais viva", salienta.

Ele explica que o trabalho realizado pela consultoria nos workshops é "colocar o dedo nesta ferida", provocar a reflexão e encarar o problema de frente. "É uma tarefa multidisciplinar que envolve advogados, administradores, consultores, psicólogos", conta. Neste ano, ele já realizou quatro encontros na capital e, no início de dezembro, deve realizar o primeiro em Londrina

Fonte: Folha de Londrina