« Voltar

26/11/2013

Evento reúne famílias para debater os caminhos da sucessão familiar

Além dos desafios próprios que um negócio enfrenta diariamente, como entender e acompanhar o mercado, lutar com a concorrência e crescer diante das pressões diárias, as empresas familiares contam com uma preocupação adicional: a sucessão dos negócios pelas gerações seguintes. E diante de um cenário em que menos de 10% das empresas chegam a terceira geração, a Alliance Governança e Família, em parceria com a Strategos Strategy & Management, promoveu o workshop “Desafios na sucessão das empresas familiares”.

Para despertar a atenção de muitos fundadores, herdeiros e sócios sobre a importância do tema, o evento fechado para algumas empresas familiares contou com as palestras de Luciano Anghinoni e Telmo Schoeler. O primeiro abriu o debate sobre o tema destacando o planejamento em relação à sucessão do patrimônio, não apenas com decisões jurídicas, mas também chamando a atenção para questões importantes como o fato de que as famílias crescem mais rápido que o patrimônio, as exigências de estilo de vida aumentam com as gerações e as estruturas familiares se tornam mais fragmentadas e menos unidas com o tempo. Na sequência, o segundo palestrante convidou os participantes a observar o processo de transição de gerações nas empresas e a importância da gestão e da profissionalização.

O planejamento

Especialista em Estratégias Societárias, Planejamento Tributário e Sucessório e diretor da Alliance Governança e Família, Luciano Anghinoni iniciou a noite com a apresentação dos círculos de interesse que envolvem uma família empresária. Ao mostrar os componentes da empresa familiar, constituída por família, propriedade e empresa, Anghinoni destacou a complexidade de papéis e atores envolvidos em cada um desses núcleos. Ele buscou apresentar, desde o início, porque a sucessão é um desafio para empresas familiares, já que é um processo que implica mais do que ser um herdeiro, mas planejar a sucessão e preparar as gerações seguintes. Reforçando a questão com estatísticas, Anghinoni apresentou dados do Grupo de Estudos de Empresas Familiares (GEEF) da Fundação Getúlio Vargas, que revelam uma estimativa de que 70% das empresas familiares não atingem a sua segunda geração, e menos de 10% chegam à terceira.

Ele lembrou aos participantes que uma pessoa da família pode se tornar proprietária do patrimônio, pelo simples fato de ser herdeiro. Diante desse ponto inevitável, o palestrante abordou a questão de que realizar um planejamento de patrimônio e o controle do processo de sucessão, preparando as gerações seguintes para exercer seu papel dentro da empresa familiar é uma alternativa indispensável. “É preciso compreender as vontades de todas as gerações, para que se possa conceber o melhor desenho jurídico possível que atenda o maior número de expectativas de todos os familiares envolvidos”, ele afirma. Ele mostrou aos convidados então que, diante dessa análise, com o objetivo principal de perpetuação do patrimônio, são realizadas, de forma alinhada com a vontade das famílias, ações como segregação dos ativos patrimoniais, a criação das holdings, as doações e os testamentos, as cláusulas de usufruto e os acordos de sócios, apenas citando alguns dos exemplos.

“Todo esse processo contribui para a manutenção a estabilidade das relações e da coesão familiar. Esse é o principal objetivo ao realizar todo um processo de planejamento patrimonial e sucessório das famílias empresárias” afirma Anghinoni.

Importância de sucessão nas empresas familiares

Depois da explanação sobre estruturação de patrimônio, o segundo momento sugeriu aos presentes como deve ser pensada a questão dos sucessores efetivamente. Para Telmo Schoeler, diretor da Strategos Strategy & Management, uma união de fatores deve ocorrer para garantir a continuidade do negócio. “Sem uma organização sucessória aliada à gestão eficiente e à aplicação da governança corporativa não é possível manter uma empresa aberta por várias gerações”, explica.

As novas características de mercado, com a complexidade das relações internas e externas e a pulverização de capital são alguns pontos citados por Telmo como de evolução no processo de governança e gestão. Mas, segundo ele, a separação da propriedade e do gerenciamento, caminhando para a evolução da sociedade de trabalho para de capital são questões essenciais para que a sucessão aconteça de forma natural e efetiva. Para o especialista, com essas medidas é possível então passar para o ponto de adoção de práticas de governança corporativa, com a organização de conselhos consultivos, de administração e também a implementação da diretoria executiva e auditorias periódicas.

O palestrante então entrou em um ponto chave, que vai além da questão de herdeiros assumirem diretamente o negócio da família. Telmo aponta que são dois os fatores que fazem de um herdeiro realmente um sucessor: vontade aliada à competência e preparo para assumir um cargo. A profissionalização dos gestores, de acordo com o especialista, é um ponto chave para a evolução do negócio. No atual cenário de mercado, um herdeiro que queira assumir um cargo de gestão na empresa familiar tem que ir além do perfil de integridade, seriedade e dedicação, e deve ter outras características como preparo, capacidade e talento. “O gestor de qualidade deve ser capaz de, a todo momento, mover-se da zona de conforto para a zona de oportunidade”, afirma. Nesse ponto, ele defende a preparação dos herdeiros do negócio para que possam atuar no gerenciamento da empresa familiar. Isso porque a capacidade de gestão não é hereditária, razão pela qual todos devem passar por um treinamento para, naturalmente, escolher e entender o caminho a seguir, sem imposição ou escolhas imprecisas. Dessa forma, o processo em busca da perenidade acontece, contribuindo para o crescimento efetivo do negócio familiar.

Download dos arquivos em PDF